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Geração CésariAna

César é um adolescente instável, dependente dos pais, tem dificuldade de tomar suas próprias decisões, não gosta de sair de casa e vive no computador. Já Ana tem opinião própria, quer ser arquiteta, busca sempre novos desafios e usa o computador com moderação. César e Ana são irmãos, ela tem 17 anos e ele, 15. Um detalhe: ele nasceu por cesariana, ela por parto normal.


Anos atrás a maioria dos brasileiros nascia de parto normal, com o auxílio de parteiras, pessoas simples e humildes que tinham a sabedoria herdada de fazer “vir ao mundo” milhares de pessoas. Então, no momento do parto, percebia-se o esforço físico de três pessoas: a mãe, a parteira e o bebê. O último, inclusive, naquele momento, fazia sua primeira escolha na vida: a data do seu nascimento. Ao longo da vida, as pessoas continuavam a “parir” o seu destino: começaram a trabalhar cedo, fizeram muita força para alcançar o que queriam, enfrentaram muitos desafios e aprenderam que os atalhos e a busca pelo menor esforço resultavam sempre em perdas no futuro.


Hoje, percebemos a síndrome da “geração cesariana” que pretende pular degraus, facilitar ao máximo a conquista de tudo. Tal geração tem no governo federal a sua maternidade com bolsas e cotas seduzindo para a posse de bens materiais como se fossem passaportes para a cidadania e a justiça social. Nos lares, as facilidades continuam com os pais que, evitando o maior esforço de educar com limites, buscam dar tudo sem limites aos filhos, seqüestrando deles o insubstituível sabor do esforço e da conquista pessoal. O resultado: jovens sem criatividade, sem perspectivas, sem sonhos. Não querem “correr atrás”, mas simplesmente chegar “na frente”, de preferência, na “banguela”, sem esforço, sem luta.


Triste olhar para jovens tristes, escondidos atrás das telas virtuais, com medo do futuro, dos outros e de si mesmos. A “geração cesariana” corre o risco, desde o nascimento, de não gerar seus próprios caminhos, e, ao não enfrentar as pedras e também as perdas, não chegar ao topo da montanha, lugar este que exige esforço, persistência e garra, mas possibilita a sensação indescritível da missão cumprida de quem chegou aonde queria.


Segundo a Organização Mundial de Saúde- OMS, o Brasil o é o campeão mundial de cesarianas. Enquanto o percentual recomendado é de 15%, a média nacional é de 52,2%. Vale dizer, a cesariana é um parto cirúrgico indicado apenas quando a mãe ou o bebê correm algum risco. No parto normal, a recuperação é mais rápida e o bebê sofre menos riscos de problemas respiratórios ao forçar o pulmão em sua primeira respiração. A questão envolve ainda aspectos financeiros e agendamento médico.


Ah, com tantas questões envolvendo a Geração Cesariana já ia me esquecendo de atualizar a história de César e Ana, nossas personagens do início deste texto. César teve recentemente problemas de postura corporal e está em tratamento em uma clínica de fisioterapia.


Quanto a Ana? Ah, ela vai muito bem, obrigada.



Fonte: Wiliam Oliveira

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